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(Casquinha)

Pedi seu amor, negou
Mas o meu tamborim ela levou

Levou meu tamborim para a Bahia
Diz que vai cantar samba noite e dia
Quanto ao nosso amor, disse assim
Vai consultar ao Senhor do Bonfim

Bahia do côco e do acarajé
Do homem ilustre e da famosa mulher
Eu vou me mudar pra São Salvador
Pra ficar bem pertinho do meu amor

Ela também vai ao pai-de-santo
Saber se é sincero o meu amor
Ela diz que também no Canjerê
Minha situação poderá resolver

Bahia berço de Rui Barbosa
Bahia de tanta devoção
A bahiana, além do meu tamborim
Levou junto com ela o meu coração

Outro Recado

(Candeia e Casquinha)

No recado
No recado que mandei a ela
Eu dizia francamente
O nosso amor chegou ao fim
Mas repercurtiu profundamente
Em meu subconsciente
Pois não podia ficar assim
Preferi lutar heroicamente
Mas não contrariar ao meu amor

Nada importará
O que essa gente vier falar
Fortes são aqueles que sabem perdoar

Se ela errou, quantas vezes errei também
Nenhuma satisfação eu dava a ninguém
Se existe por ai
Que jamais errou
Atire a primeira pedra
Pois nunca pecou

(Paulinho da Viola e Elton Medeiros)

Canto
Pra dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranqüilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda

Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer

O Sol Nascerá

(Cartola e Elton Medeiros)

A sorrir
Eu pretendo levar a vida
Pois chorando
Eu vi a mocidade
Perdida

Fim da tempestade
O sol nascerá
Finda esta saudade
Hei de ter outro alguém para amar

Pressentimento

(Élton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)

Ai ardido peito
Quem irá entender o seu segredo
Quem irá pousar em teu destino
E depois morrer de tanto amor

Ai mas quem virá
Me pergunto a toda hora
E a resposta é o silêncio
Que atravessa a madrugada

Vem meu novo amor
Vou deixar a casa aberta
Já escuto os teus passos
Procurando o meu abrigo

Vem que o sol raiou
Os jardins estão florindo
Tudo faz pressentimento
Que esse é o tempo ansiado de se ter felicidade

A Flor E O Samba

(Candeia)

Vem sambar, ia, ia
Vem sambar iô, iô
Ia, ia, iô, iô

Não tenho dinheiro
Só tenho pandeiro e viola
Mas vem depressa pro meu samba
Que ele consola
Menina, pra que desamor
Veja quanta beleza
O samba assim como a flor
Também é natureza

Só vive pior
Quem não vai
Sambar na avenida
O samba é o tesouro maior
Que se deixa na vida
O samba é a liberdade
Sem sangue, sem guerra
Quem samba é de boa vontade
E tem paz nessa terra

Dia De Graça

(Candeia)

Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)
As escolas vão desfilar (garbosamente)
Aquela gente de cor com a imponência de um rei
Vai pisar na passarela (salve a Portela)
Vamos esquecer os desenganos (que passamos)
Viver alegria que sonhamos (durante o ano)
Damos o nosso coração
Alegria e amor a todos sem distinção de cor
Mas depois da ilusão, coitado
Negro volta ao humilde barracão

Negro acorda é hora de acordar
Não negue a raça
Torne toda manhã dia de graça
Negro não se humilhe nem humilhe a ninguém
Todas as raças já foram escravas também
E deixa de ser rei só na folia
Faça da sua Maria uma rainha todos os dias
E cante o samba na universidade
E verás que seu filho será príncipe de verdade
Aí então jamais tu voltarás ao barracão

Minhas Madrugadas

(Candeia e Paulinho da Viola)

Vou pelas minhas madrugadas a cantar
Esquecer o que passou
Trago a face marcada
Cada ruga no meu rosto
Simboliza um desgosto

Quero encontrar em vão o que perdi
Só resta saudade
Não tenho paz
E a mocidade
Que não volta mais

Quantos lábios beijei
Quantas mãos afaguei
Só restou saudade no meu coração
Hoje fitando o espelho
Eu vi meus olhos vermelhos
Compreendi que a vida
Que eu vivi foi ilusão

O Meu Pecado

(Zé Keti e Nelson Cavaquinho)

Meu pecado foi querer na minha mocidade
Amar tantas mulheres
O tempo já passou
Eu tenho saudade
Meu pecado foi passar noites em serestas
E bebendo por aí
Pela cidade
Nem com dinheiro as mulheres
Já não me desejam mais
Ah, se eu pudesse
Voltaria ao meu tempo de rapaz